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Osvaldo Pereira, O Primeiro DJ do Brasil.

Resolvemos trazer a vocês esta história que sem dúvida todos nós amantes da eletrônica de hoje, deveríamos conhecer e saber quem foi o responsável por criar todos os DJs e amantes de música eletrônica do Brasil.

A matéria é composta por todo o material que encontramos do seu Osvaldo, deixamos aqui a nossa linda homenagem a este DJ que aos seus 88 anos ainda esbanja energia e ainda comanda as pistas!

Muito obrigado por fazer o início disso tudo em nosso precioso Brasil seu Osvaldo!

Sem o que esse senhor fez muitos de nós não estaríamos aqui hoje.

Aproveitem essa história valiosa para o nosso país:


















Conheça o seu Osvaldo, considerado primeiro DJ do Brasil, ainda na ativa aos 88 anos, foi o primeiro a tocar discos para o público lá nos anos 1950; ele, no entanto, não sabia que daria o pontapé inicial para as festas que seriam importantíssimas para a luta contra o racismo e para a afirmação do povo negro.


O DJ Osvaldo Pereira, de 88 anos, natural de Minas Gerais, foi o precursor da discotecagem no Brasil e é considerado o primeiro DJ do país.

Em entrevista ao site da TV Cultura, Osvaldo conta sua história, fala sobre suas inspirações e seus primeiros passos no universo musical.


De Minas Gerais para São Paulo

Osvaldo nasceu em Muzambinho (MG) e foi lá que se encantou pela música. Ainda menino ajudava sua mãe, que era lavadeira, com as entregas das roupas. Entre uma entrega e outra, parava em um bar em uma praça da cidade para ouvir as canções no rádio, que foi um importante instrumento em sua trajetória.

“Eu gostava muito de ouvir A Hora do Brasil. Também escutava no cinema muitas músicas do Francisco Alves, músicas muito bonitas como 'Onde o Céu É Mais Azul”, relembra o DJ.


Aos 12 anos, foi para São Paulo, junto a uma tia e alguns familiares. Passaram a residir no bairro do Brás, e tempos depois na Vila Guilherme, onde mora até hoje.


Trajetória

O mineiro estudou Rádio e TV, e com o curso conseguiu um emprego no centro da cidade como técnico de eletrônica, arrumando rádios, outros aparelhos eletrônicos e colocando em prática tudo aquilo que tinha aprendido.


Aos 18 anos começou a tocar em aniversários, casamentos e eventos na Zona Norte de São Paulo.

O DJ começou a ganhar notoriedade e foi convidado a tocar em eventos maiores como as “domingueiras” no Edifício Martinelli e animava as madrugadas dos sábados com bailes na Avenida Rio Branco.

“Foi a partir dessas festas que fizemos com frequência, que as equipes viram que era possível todos virem tocar. Havia uma competição, mas dava para todo mundo ganhar um pouco. Eu orientava eles com os discos que deviam comprar e dizia: 'a luz do céu nasceu para todos"


Para aprimorar o DJ se dedicou aos estudos e também participou de um curso americano pela National School. Hoje, aos 88 anos de idade, diz não pensar em parar de tocar tão cedo.

O ato de tocar discos começou há mais de 60 anos. E naquela época, os anos 1950, tanto o som como a motivação eram outros: dançar ao som das orquestras de música e dos ícones da Black Music norte-americana. Daí, de uma forma um tanto inesperada, surgiu o primeiro DJ do Brasil.

Osvaldo Pereira, ou Seu Osvaldo, hoje tem 88 anos e começou a fazer as festas no final daquela década, quando teve a ideia de criar um evento diferente onde, ao invés de apresentar músicos, tocaria discos de vinil. Foi um novo jeito não só de fazer festas, mas também de tocar músicas para o público, como a primeira pessoa a executar discos como forma de entretenimento em grupo. A inspiração dele foi um golpe de sorte, mas também de competência e criatividade.



Seu Osvaldo Pereira, o primeiro DJ do Brasil, ainda na ativa aos 88 anos — Foto: Reprodução/Hora 1


Seu Osvaldo era técnico de som na década de 1950 e trabalhava em uma loja de discos, vendendo as “bolachas” – como também são chamados os discos –, montando e consertando rádios nas casas de famílias ricas do centro da capital paulista. E depois de montar tantos rádios para essas famílias, ele se inspirou no que via nas casas abastadas e decidiu montar um toca-discos para si mesmo, mas com mais potência sonora que os comuns.


"Eu me acostumei com aquelas casas de pessoal rico, aquelas caixas bonitas, aparelhos importados, e pensei: "Vou também fazer um equipamento e fazer baile aqui no bairro". Consegui primeiro o amplificador, a caixa acústica era pequena, comprida, estreita, e era fácil da gente se locomover aqui na redondeza. Aí comecei fazer casamentos, aniversários, fui à Casa Verde, fiz dois casamentos lá, e aí fui ficando conhecido".

Com o sucesso nas festas pequenas, Seu Osvaldo foi convidado para tocar no Clube 220, um dos mais populares do centro de São Paulo. E a partir daí, ele foi ficando ainda mais conhecido por tocar os discos para uma quantidade maior de pessoas. E de lá, foi convidado a tocar em um clube da Avenida Rio Branco, também na região central da capital. Mas sentiu a necessidade trazer algo novo para essa estreia.

“O equipamento, nós colocamos com maior potência. Então esse amigo meu, o Francisco, ele falou: ‘Vamos fazer um baile e vamos apresentar a "orquestra invisível"?’ Vamos ter que batizar o aparelho, porque por enquanto não tinha nome ainda. E aí ele falou: ‘Que tal a Orquestra Invisível Let’s Dance?”


Aparelho de som que Seu Osvaldo produziu para promover as apresentações da sua "Orquestra Invisível Let's Dance" — Foto: Arquivo pessoal/Seu Osvaldo Pereira.


Surgia ali a inovação tanto como música, mas como forma de entretenimento. E, mais à frente, isso sofreria adaptações até se tornar um ponto de resistência do povo negro. Mas por enquanto, fiquemos na inovação musical – a que Seu Osvaldo conta ter surpreendido a todos logo de cara.

“Deixamos a cortina fechada, aí no início do baile, tocamos uma música americana e fomos abrindo a cortina. E aí conversamos com o público. E dali, foi um gatilho: todas as festas que eu ia, eles reconheciam meu som em relação aos outros. Porque era um tipo de música, e eu tinha um equipamento bem possante, que eu montei. Pelo tom da música eles sabiam que era eu”.



Seu Osvaldo (primeiro à esq.) durante uma das festas em que apresentou a Orquestra Invisível Let's Dance — Foto: Arquivo Pessoal/Seu Osvaldo Pereira


Mesmo com o sucesso da sua iniciativa, Seu Osvaldo não tinha como saber que havia criado uma nova maneira de se fazer festas. E que iria ser reproduzida pelos DJs que viriam depois.

"Aos DJs que vinham me perguntar, eu falava: 'Compra um equipamento, faz uma festa no bairro, pequena, aí depois você vem aqui para a cidade'. Naquele tempo chamava "circular", que é o "flyer" de hoje. 'Vão fazer a propaganda, aí vocês vão ver, vai começando devagarzinho, e daí vocês vão crescer'. E realmente foram surgindo várias equipes de (bailes) blacks".



'Circular' para uma das festas em que Seu Osvaldo executou a Orquestra Invisível Let's Dance, nos anos 1960 — Foto: Arquivo Pessoal


Não foi uma ação planejada, mas Seu Osvaldo deu início a um movimento de afirmação da cultura negra. Ele parou de fazer festas no final dos anos 1960, mas nesta época as equipes de bailes já haviam surgido inspiradas em sua criação – as festas com toca discos, feitas inicialmente nas garagens das casas de periferia, mas que com o rápido sucesso, ficaram grandes e naturalmente alçaram voos maiores e ido aos clubes tradicionais de São Paulo.


Equipes como Zimbabwe, Os Carlos, Black Mad, Chic Show e outras promoviam as festas a partir dali, e que tinham como objetivo exaltar a cultura negra perante aos abusos e racismos da sociedade da época da ditadura. Mas até mais do que isso, a música e a dança dos bailes eram uma forma de diversão para uma população periférica que não tinha acesso aos grandes clubes e a outras formas de lazer do centro da capital paulista.


Iniciados por Seu Osvaldo, os Bailes Blacks reuniam um público majoritariamente negro para exibir roupas bem cortadas e dançar ao som da música negra brasileira e norte-americana — Foto: Arquivo Pessoal/Seu Osvaldo Pereira.


Afastado dos bailes desde o fim dos anos 1960, Seu Osvaldo Pereira passou as décadas seguintes apenas acompanhando os filhos, Tadeu e Dinho, que seguiram seus passos e viraram DJs, trabalhando da mesma forma na noite paulistana. Seu legado já estava consolidado, mas ele voltaria à cena musical para, enfim, ser exaltado pela história.


Nos anos 2000, a jornalista Claudia Assef o procurou para torná-lo um dos personagens de seu livro, “Todo Mundo é DJ” – ele inclusive é o personagem de capa da publicação, que tem duas edições. E a partir daí, ele voltou à ativa: tocando com Tadeu e Dinho, ele voltou a levar a Orquestra Let’s Dance para o público de São Paulo.

Seu Osvaldo foi, inclusive, uma das atrações de uma festa de dança ocorrida duas semanas atrás, no Centro Cultural São Paulo, onde tocou as suas músicas e colocou o público para dançar, como faz desde os anos 1950. E para reforçar a negritude de toda uma população, como a história irá contar para sempre.


Seu Osvaldo (à dir.) e o filho, Dinho, durante o Samba-Rock DJ's Dance, no último dia 5 de novembro — Foto: Léo Cordeiro/Samba-Rock DJ's Dance


Seu Osvaldo na mesa de som ao lado do filho, também DJ, Dinho Pereira, durante o evento Samba-Rock DJ's Dance, ocorrido no Centro Cultural São Paulo no dia 5 de novembro — Foto: Léo Cordeiro/Samba-Rock DJ's Dance


Seu Osvaldo durante o Samba Rock DJ's Dance, ocorrido no Centro Cultural São Paulo no dia 5 de novembro — Foto: Arquivo Pessoal/Seu Osvaldo Pereira.


Uma familia de DJs

Osvaldo Pereira ficou viúvo quando o filho mais novo dos cinco filhos tinha apenas um ano e alguns anos depois, conheceu sua segunda companheira, que já tinha dois filhos. Atualmente, tem sete filhos, sete ou oito netos e dois bisnetos.

Com muita felicidade, o primeiro DJ brasileiro diz que, em sua família, tem cerca de 25 DJs. Inclusive, relata a diversidade de gostos e atuações, uma vez que um dos integrantes toca e tem apreço por canções sertanejas. “A fama de DJ das festas e os filhos foram herdando. Tem um aí que só tá com música sertaneja. É bem diversificado”.


Admiração e inspiração

A lista de DJS que o precursor admira é grande, mas ele cita alguns, como: Grand Master Ney, Patife, Nuts, e outros que conheceu ao longo de sua trajetória.

Osvaldo também foi inspiração para muitos, inclusive para seus dois filhos, que seguem os passos do pai como DJ. Além dos filhos Dinho e Tadeu, ele inspirou outros familiares e conta com diversos DJS na família.


Aos 88 anos, Osvaldo Pereira segue animando eventos.

"Aos 88 anos, primeiro DJ do Brasil mantém case pronto para o próximo baile... "


Seu Osvaldo, considerado o primeiro DJ do Brasil

Imagem: Fernando Moraes/ UOL


Atrás dos toca-discos ele é preciso e calmo. Com elegância, Osvaldo Pereira escolhe cada música como se estivesse dando um presente ao público. Faz o movimento de repousar a agulha no vinil quase como se a colocasse para dormir e ainda hoje, aos 88 anos, dá seus bailes por aí. Aliás, dava. Desde o início da pandemia, o primeiro DJ do Brasil fez apenas uma live e anda quietinho, mas não tanto quanto os filhos gostariam. "Estou ficando mais em casa. De vez em quando vou lá no Tony (Hits, dono de loja de discos no centro de São Paulo e discotecário), vou na Santa Ifigênia pegar alguma coisa, mas eu tenho tomado os cuidados necessários, fico de máscara, vou rápido e volto. Não abuso, porque eu sei como é que é." Ele ainda faz questão de afirmar: "A pandemia foi um alerta para o mundo. Só não vai acordar agora quem não quiser. Você percebe que ela é perigosa".



Pós pandemia... Também tivemos notícias boas do seu Osvaldo.

"Aos 88 anos, primeiro DJ do Brasil toca na maior pista da sua vida".



Seu Osvaldo está pronto para mais um baile. Com o case vermelho de vinis ao lado, ele fala sobre a expectativa para a noite: "A gente fica numa tensão, fica nervoso." Apesar da aparente tranquilidade, é assim, ele diz, desde que tocava seus bailes nos anos 1950 e 1960 — quando deu origem, sem saber, à arte da discotecagem no Brasil. "Isso não se perde, mas depois que começar, vai no embalo." Os reflexos de uma vida pioneira estão espalhados pela sala. Fotos suas, um abraço com Emicida emoldurado na estante e um vinil prateado na parede como prêmio honorário. Seu Osvaldo é considerado o primeiro DJ do Brasil e, naquele sábado (10), jogaria um set costurado em 64 anos de pick-ups na maior pista da sua vida.







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